Preparativos

Uma viagem à volta do mundo e com uma longa duração tem as suas especificidades, sobretudo pela diversidade de realidades climáticas, sociais e culturais que se atravessa.

a partida de Lisboa

Encontrei algumas dicas muito úteis nos blogs que li sobre viagens à volta do mundo e juntando isso com a minha própria experiência consegui trazer tudo aquilo que preciso e ainda sentir-me bem leve (a mochila tem apenas 13kg). Para além disso, encontrei sobretudo relatos de viajantes masculinos e, na hora de fazer a mala, há algumas diferenças por isso, mulheres, aqui ficam também as minhas dicas para vocês.

- Conforto – o conforto quer da mochila quer da roupa que se leva é fundamental pois não dá para usar só um dia e depois enfiar no fundo do armário. O desconforto da viagem já é tanto (andamos de um lado para o outro, nem sempre temos roupa lavada, nem sempre encontramos uma casa de banho limpa, etc) que acho fundamental que a roupa que vestimos nos dê algum conforto e nos faça sentir bem, e isso inclui a parte estéctica também.

Quanto à mochila eu optei por uma de 60L e o Luca uma de 70L+10L, ambas da Quechua, com um sistema eficaz de ajuste à estatura da pessoa, um sistema de amortecimento e capa para a chuva incorporada. Não podia estar mais satisfeita e estou fascinada com a eficácia do dito sistema de amortecimento incorporado nas alças, parece mesmo que não levamos peso nenhum.

- Peso equilibrado - o ideal seria por volta dos 15kg embora possa ser um pouco mais para os rapazes. A minha mochila cheia tem 13kg e a mochila de mão mais 2kg e sinto-me muito leve. É um facto muito importante quando se tem que correr uma cidade a pé à procura de alojamento, quando não há transportes até à rodoviária (muito comum em cidades pequenas) ou quando se tem problemas na coluna, como eu.

- Segurança – Do ponto de vista da seguranca, a minha dica é que escolham uma mochila com fechos de metal com aros largos que permita fechar com cadeado. Existe uma rede de aço para colocar à volta da mochila mas é muito cara, não consegui encontrar à venda em Portugal (só pedindo por internet) e é mais um peso que levamos atrás… Fundamental ter sempre uma cópia dos documentos originais (o mais fácil é digitalizar tudo e ter no email). Quando viajo com a mochila ao pé de mim deixo uns sacos de plástico por fora (ou por dentro, tanto faz) para fazerem barulho e eu acordar se alguém tentar mexer. Quando viajo de avião tento não deixar nada nas bolsas de fora da mochila mas, além disso, fecho também essas bolsas a cadeado ou envolvo na capa para a chuva para diminuir a possibilidade de que possam enfiar droga ou outros objectos ilegais, sobretudo em trajectos reconhecidos de tráfico de droga (nunca fiando).

Não esquecer levar pelo menos um cadeado mais largo porque às vezes os dormitórios têm cacifos mas os cadeados mais pequeninos não servem.

Por segurança ambos deixámos uma Procuração em nome de uma pessoa de confiança, o que permite que ela resolva problemas menores e evita que tenhamos que regressar a Portugal só para anular um cartao de crédito ou pagar uma factura que veio atrasada.

Também é útil ter num caderninho os contactos de telefone das pessoas mais próximas para qualquer emergência e anotar também os números dos cartões de crédito (na eventualidade de um roubo). De qualquer forma, deve-se tentar não ter o dinheiro todo junto nem os documentos todos no mesmo sítio (se nos roubarem ao menos ficamos com dinheiro para fazer um telefonema e com uma prova da nossa identidade, até ser possível imprimir os documentos que deixámos scanarizados).

no aeroporto de Lisboa

- Adaptação ao Clima – numa viagem à volta do mundo quase necessariamente experienciamos muitas alterações climatéricas e, ainda que consiguemos apanhar sempre a estação seca ou o Verão, há sempre um passeio de barco ou um treking na montanha em que faz muito frio. Não só a roupa tem que ser polivalente (o truque é levar peças que permitam muitas combinações entre si, bem com, a sobreposição em camadas) e estar adaptada a temperaturas muito altas ou muito baixas, como também a mochila (que acaba por fazer também parte do nosso guarda-roupa) tem que estar preparada para um aguaceiro repentino. Existem vários modelos com capa para a chuva incorporada mas também pode ser comprada separadamente. Além disso serve para proteger a mochila durante as viagens e serve de escudo para a sujidade (é bem mais facil de lavar do que a mochila em si).

- Organização – a mochila é a nossa casa mas sem os armários e as gavetas para podermos arrumar as coisas, uma espécie de T0 em tamanho mini. Por isso achei muito útil quando li num blog que existem um cubos de tecido para separar a roupa dentro da mochila, uma espécie de gavetas interiores. Como bons portugueses, o Luca e eu encontrámos uma solução mais barata (os únicos “cubos” que encontrámos, mais uma vez, eram caros e tinham que ser pedidos pela internet) e comprámos numa loja chinesa umas divisórias rectangulares em tecido respirável (eram para guardar cobertores) de vários tamanhos, onde colocámos a roupa (eu usei uma e o Luca duas). Também ajuda ter sacos de pano para guardar a roupa interior (evitando que se espalhe pela mochila toda e fiquemos sem saber onde está o par daquela meia) e bolsas impermeáveis para guardar os aparelhos electrónicos e os documentos. Quanto mais separados e organizados estiverem os nossos pertences mais rápido é fazer e desfazer a mala e torna-se muito mais prático quando queremos encontrar “aquela” coisa. Todos os nossos objectos, incluindo os sapatos, têm sacos próprios e nada anda à solta dentro da mochila.

- Saúde e Higiene – Antes de sair em viagem é fundamental contratar um bom Seguro de Viagem. Nós fizemos o nosso com a Travel Nations mas a oferta é enorme e na hora da escolha convém ler as letras pequeninas das apólices e pesquisar na net qual foi a experiencia de outros viajantes com a seguradora que escolherem. Também fundamental é passar pela Consulta do Viajante (realizada em vários hospitais nacionais) para receber aconselhamento actualizado sobre quais as vacinas a tomar e outras medidas de proteccao aconselhadas para os países a que vamos.
Na bagagem, trouxemos uma farmácia bem equipada e um kit de cirurgia com seringas, cateters e agulhas (em muitos países é difícil o acesso a material esterilizado).
Para além disso, há 3 itens que eu levo sempre quando viajo e que se têm verificado ser os mais úteis de toda a minha bagagem: papel-higiénico, álcool (ou um desinfectante em gel) e toalhetes Dodot. Verdade nº1: muitas casas de banho por esse mundo fora têm papel higiénico. Verdade nº2: Muitas delas NÂO têm.Para além disso o papel higiénico faz de guardanapo, de lenço de papel, de algodão, de bloco de notas… e pode ser utilizado em inúmeras situações em que é preciso algo para limpar alguma coisa que se sujou.

O álcool (líquido, em gel, como quiserem) – serve para todas as vezes em que não há água e sabão quando precisamos deles e é muito importante sobretudo quando estamos expostos a uma infinade de doenças para as quais não temos anticorpos, como é o caso. Uso para limpar as mãos antes de comer ou depois de passar o dia em transportes públicos, para desinfectar os talheres ou a sanita ou outra coisa qualquer quando o sítio é imundo. Fico sempre muito feliz por o ter por perto.

Toalhetes Dodot – alguém devia inventar o bidé portátil. Na falta deste, os toalhetes são os melhores amigos, sobretudo sendo mulher não me imagino a passar sem eles. Para além disso são super potentes a tirar nódoas que não saem com os detergentes da roupa e podem ser usados para lavar as mãos, tal como o álcool, sempre que não há água disponivel (o que acontece com frequência quando se é um backpacker e se compra a comida em supermercados para economizar).

3 thoughts on “Preparativos

  1. Ainda não me tinha lembrado de vos felicitar pelo excelente post!!!!aplica-se que nem uma luva a situações que eu conheço e tu sabes que eu conheço…eheheeh
    Já agora sugiro que acrescentem umas dicas sobre calçado e sobre vistos.

  2. Otimo artigo! Parabens!

    Tenho duvidas com relacao a mochila.
    Comprei uma mochila de 60L com armacao de metal, sao duas chapas/barras em aluminio que estao bem no centro da mochila.
    Minha duvida eh se isso pode criar problemas para mim no momento do embarque, ou seja, poderei embarcar com uma mochila dessas como mala de mao? Ou deverei despacha-la? No total nao vou passar de 8 kilos.

    • Olá e muito obrigada! As barras de metal não são problema na bagagem de mão – passa no raio x na segurança como as outras malas todas-, o problema é o volume. Se tem 60L é capaz de ser bastante grande e talvez o volume exceda aquele permitido pela maior parte das companhias… tem que caber no espaço de bagagem por cima dos assentos (existem medidores de volume nos aeroportos geralmente junto aos balcões de check-in). Mas muitas pessoas levam malas com metal para dentro do avião e não tem qualquer problema. Espero ter ajudado mas estou disponível se precisares de qualquer outra dica! Margarida

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