Monkey Bay – uma introdução ao Malawi

aprendendo músicas com as crianças de Monkey Bay

A estrada nacional termina perto do lago e chegamos a uma aldeia pequena chamada Monkey Bay. Saíndo da estrada os caminhos são de terra e caminhamos a pé à procura de alojamento. Tudo está em silêncio, o Sol começa a pôr-se atrás das colinas e chegamos a uma praia linda de areia branca e mar transparente. É o Lago Malawi.

Mulheres e raparigas da aldeia fazem fila para ir buscar água à única fonte

Entre as casas de palhinha quadradas vemos surgir mulheres e crianças que nos vêm saudar, dizem “Hello!” e riem-se muito, algumas arriscam um “How are you?” ou “What’s your name?” e ficam ainda mais envergonhadas quando respondemos. Não conseguem continuar a conversa em inglês. Entre as casas passeiam cabras e o chão está coberto de excrementos pequeninos misturados com a areia e ignorados pelos pés descalços das crianças. Já é quase de noite, sentimos os cheiros das fogueiras que se acendem para cozinhar o jantar e assistimos à azáfama das mulheres que levam a água em baldes coloridos equilibrados com perícia. Também nós já aprendemos a deitarmo-nos com as galinhas e quando acordamos o Sol acabou de nascer. A praia à nossa frente está cheia de gente que vem tomar banho e lavar a roupa na água do lago. À medida que vamos andando na praia as crianças vão-se juntando à nossa volta e o grupo aumenta até às dezenas. Gritam ao longe “Luca! Mergrita!” e correm na nossa direcção. Dia após dia, sem a ajuda das palavras, começam a tentar interagir através da música e como vêm que os imito a dançar entoam as vozes e cantam uma após outra as canções tradicionais que conhecem. Vamos dançando e rindo até ao final da praia com esta multidão pequenina que nos circunda e caio por terra de cansaço.

Os miúdos a ensinarem-nos jogos de cartas novos

Num ápice deitam-se todos na areia à nossa volta e timidamente procuram tocar no nossos braços, no nosso cabelo, como quem prova uma sensação nova. Riem-se ainda mais e pedem-nos para lhes tirarmos fotografias. Lembramo-nos que as casas não têm espelhos e que é possível que nunca tenham visto a sua imagem reflectida, o que explica o prazer enorme que mostram ao ver-se nas fotografias. Fazem novas poses, brigam pela nossa atenção. Os dias correm melosos numa simplicidade de quem retorna aos prazeres mais simples da vida. Mas sabemos que não vivem assim por escolha. De qualquer modo, invejamos o facto de não se preocuparem com horários nem quererem saber se os sapatos condizem com a cor da roupa.

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