Viver com, e como, uma família tailandesa durante uns dias, pode ser uma experiência intensa. E foi.
São 5h da manhã e o despertador lembra-nos que, apesar de ser ainda noite, é altura de acordar. Após alguns minutos, descemos já prontos e de cara lavada e encontramo-nos com o Pak e a Num.
O Luca e o Pak conheceram-se quando estavam ambos a estudar na Holanda, ao abrigo do programa Erasmus. Durante estes dias, o Pak, a sua mulher Num e as duas filhas receberam-nos em sua casa e mostraram-nos um pouco da cultura tailandesos “from inside”.
A conselho deles, encontrámo-nos na pequena cidade de Chiang Khan, na região de Siam, situada na margem do Rio Mekong o qual define a fronteira com o Laos.
A avenida principal é ladeada de casas de madeira que conservam a traça antiga e, do terraço da nossa guesthouse (River View Guesthouse), assistimos ontem a um por do sol magnífico sobre o rio Mekong.
Enquanto descemos a rua na nossa resmunguice das 5h30 da manhã, a noite vai-nos deixando e as casas vão-se tingindo de laranja salmonado. Ao longo do passeio, homens e mulheres estendem esteiras onde pousam cestos de verga com pacotinhos de bolachas, chocolates, cestinhos de sticky-rice, pacotes de sumo, comprados previamente na senhora da esquina.
Ocupamos também nós o nosso lugar numa esteira que o Pak reservou previamente e dão-nos o nosso cestinho com comida. Não, não é o nosso pequeno-almoço (esse não virá senão daqui a uma hora). É comida para oferecermos aos monges budistas.
A tradição é antiga mas cada vez mais tem um carácter turístico e os monges tornam-se uma espécie de animais neste circo montado em redor da cidade, atacados por milhares de flashes enquanto aceitam humildemente as oferendas trazidas pelas mãos sujas.
Mais uma rodada, mais uma voltinha e, depois destes, outros monges chegam e o espectáculo continua. Já ninguém dá nada de graça, de boa vontade ou por simpatia. Todos querem a fotografia a dar comida ao monge e depois viram as costas para comprovar no ecran se a imagem ficou digna do facebook. Os monges, dizem a oração para as costas que se voltam e seguem caminhando até ao final da rua porque é esta a única comida que vão ter durante toda a semana.
Ninguém pensou que os pobres coitados não se podem alimentar uma vida inteira de bolachas?? 6h30. The show is over. O pak e a Num anunciam que nos vão levar a comer o melhor pequeno almoço da cidade: sopa de noodles com tripas de porco e sangue coalhado. Yupiii! O nosso sorriso denunciou mais pânico que surpresa e com dificuldade obrigámos os pés a seguirem caminho.
Com mais sal ou menos piri piri, o sangue a as tripas não eram de facto aquilo que o nosso estômago esperava àquela hora, ainda meio embrulhado do sono mas os pauzinhos de madeira viajaram entre a taça e a nossa boca, as vezes necessárias para não denunciarmos a repugna que nos dava a oferenda dos nossos amigos.
Terminada a refeição, o dia continuou uma aventura gastronómica já que o Pak e a Num continuavam a comprar alimentos de aspecto duvidoso e a insistir em que provássemos sem aceitar um “não” ou um “talvez mais logo” de resposta. Gelatinas de várias cores (mas sempre sem sabor) , arrozes com sabor ora a carne ora a peixe envolvido em folha de bananeira, água de coco chupada por um saco de plástico, espetadinhas de bolas de carne gelatinosas, banana assada…
Ao final do dia, entrámos os sete no carro: nós, o Pak, a Num, as duas filhas Mia e Maileen (de 3 anos e 4 meses respectivamente), e a ama, com destino a Khon Kaen onde passámos o resto do fim de semana em casa do Pak.









