Hoje dormimos num quarto redondo, as paredes são de tijolos de lama e o tecto é de palha seca. Camadas e camadas de palha sobrepostas com a perícia de quem acumulou várias gerações de conhecimento. O chão já não é de excremento de vaca misturado com lama para isolar e manter o calor, como se usa nas casas tradiocionais. Este, do lodge onde estamos hospedados, é de cimento, uma inovação moderna que muitos não conseguem suportar.
A Swazilândia é um pequeno país situado entre a Africa do Sul e Moçambique onde chegámos hoje de manhã. As suas pessoas têm uma côr de cacau profunda e um sorriso mais doce e aberto do que no país vizinho. Enquanto passávamos na estrada vimo-los a regressar da igreja (hoje é Domingo) vestidos com as suas melhores roupas, quase sempre sem condizer e muitos deles descalços. Junto ao rio, mulheres agrupavam-se na tarefa semanal de lavar a roupa, carregadas à cabeça por raparigas descalças e cabelos cortados rentes, algumas delas ainda crianças com barrigas salientes a denunciar uma pobre dieta alimentar.Os rapazes acenam-nos e pedem boleia junto à estrada, já que a maioria não tem outra forma de se deslocar senão a pé e as distâncias são grandes pelo meio do campo.
Longe dessas preocupações, nós dormimos quentinhos neste lodge que imita as casas tradicionais com o upgrade do conforto da electricidade e água corrente que o dinheiro nos permite pagar, aconchegando o nosso sono enquanto sonhamos com as girafas e as zebras que vamos ver de manhã.
Os tambores ouvem-se ao longe, são 17h50 e é um sinal de que o jantar vai ser servido no edifício principal. Até já!


