Aqui, a população é maioritariamente muçulmana e fala-se Indonésio, o que nos permite usar algumas das palavras que aprendemos na Malásia (as duas línguas têm muitas parecenças) e facilita a comunicação inicial já que quase ninguém fala inglês.
A ilha tem uma grande actividade vulcânica e sabemos que dois vulcões entraram recentemente em erupção e algumas populações tiveram que ser evacuadas. Um deles, o vulcão Bromo, é uma das principais actracções turísticas da ilha e, como temos apenas uma semana antes do nosso voo de Yogjakarta, era o nosso primeiro destino. Fazemos algumas perguntas à saída do ferry e descobrimos que o Bromo ainda está a deitar cinzas mas não chegou a expelir lava e há cerca de duas semanas as populações vizinhas cansaram-se de esperar e aos poucos as pessoas começaram a voltar às suas casas para cuidar dos campos cultivados, entretanto deixados ao abandono sob a ameaça do vulcão.
Parece que afinal vamos conseguir subir à cractera do Bromo e por isso apanhamos o autocarro local até Probolingo, a cidade mais próxima da base.
O autocarro está apinhado e sentimos na pele como estas pessoas vivem numa pobreza que não é de fome mas é de falta de direitos. Cada assento tem uma dimensão mínima e as pernas do Luca só cabem encolhidas e subidas até aos joelhos, há lugar para dois mas sentamo-nos quatro e ainda levamos com o rabo de alguém que vai em pé encostado à nossa cara, adormecidos pela música que sai aos berros do altifalante (uma constante na Asia) e com o fumo dos dois homens sentados à nossa frente. Que privilegiados somos nós europeus, com tantas leis a protegerem os nossos direitos. Aqui, a nossa capacidade de tolerância é posta à prova diariamente e vemos como estas pessoas suportam constantes atentados aos seus direitos sem um queixume, sem sequer pararem para pensar se não teriam direito a ser melhor tratados. Enquando passamos pelos arrozais e pelas palmeiras penso na capacidade infinita que o ser humano tem de se adaptar às situações e constacto o quanto comodista a vida burguesa de Lisboa me criou…
Chegamos a Probolingo, esta cidade não parece conhecer muitos turistas e encontramos por sorte uma pensão perto da estação rodoviária onde conseguimos arranjar dormida para duas noites e conhecemos alguém que tem um amigo que é guia e organiza subidas ao vulcão. Organizamos a subida para o dia seguinte, com saída às 4h da manhã para assistir ao nascer do Sol lá em cima e descer depois de jipe até meio da cractera, onde nos espera um percurso de 1h a pé ou de burro até ao topo do Bromo, se as cinzas e o vento assim o permitirem.
O dia revela-se excelente e as vistas do vulcão superam as nossas expectativas. Com esta lebre corrida e a poucos dias de deixarmos a Àsia, há ainda tempo para conhecer um pouco da cultura local e decidimos ir até Solo onde sabemos que organizam tours culturais a aldeias ali perto.
Antes de partir, tivemos ainda tempo para alugar uma mota e ir visitar uns templos budistas que ficam nos arredores de Yogjakarta. Apesar de a vista ser bonita os templos ficaram um pouco aquém de outros que já tínhamos visto no Cambodja e na Tailândia e a parte mais interessante acabou por ser o facto de termos virado nós a atracção turística.
Por todo o lado na Ásia percebemos como eramos seguidos pelos olhares rasgados e inúmeras vezes nos pediram para nos tirarem fotografias. Mas nunca este fascínio foi tão grande como aqui. Logo à chegada ao templo fomos abordados por um grupo de raparigas de uniforme escolar que entre risinhos tímidos perguntaram se podiam tirar uma foto connosco. Qual mel para as abelhas, sentimo-nos estrelas de cinema e foram-se aproximando mais e mais miúdos com o mesmo pedido. Percebemos que o fenómeno estava a tomar proporções exageradas quando eu e o Luca nos perdemos de vista, literalmente arrastados por grupos diferentes que queriam tirar fotografias connosco e passados uns 15m, depois de responder negativamente num tom já semi agressivo à enésima pessoa que me queria fotografar, fui dar com o Luca na outra ponta do templo a dar autógrafos a um grupo de rapazes.
Agora percebo o que sentem as celebridades quando dão respostas antipáticas aos paparrazzi. E pensar que nós só tivemos que aturar isto por um dia…




