
Garganta del Diablo, Argentina
Chegámos a Foz de Iguaçu, no lado brasileiro, após 9h de viagem de autocarro, vindos de Curitiba.
A cidade é muito maior do que imaginámos (da rodoviária até ao centro da cidade são cerca de 4km) e, para além das cataratas, não tem pontos de interesse que mereçam uma paragem, dando a impressão de ser um aglomerado urbano que recente que cresceu desordenadamente.
Tendo em conta o nosso budget apertado decidimos fazer apenas o trilho das Cataratas incluído no preço do bilhete e não cedemos aos inúmeros apelos para fazer actividades complementares no parque (passeios de barco, rafting, passeio de helicóptero,…). A primeira visão das cataratas foi inesperada, já que tínhamos apenas iniciado o trilho, não se via ninguém (esperávamos grandes aglomerados de turistas) e, de repente, entre a folhagem das árvores, ali estavam elas, as Cascatas de Iguaçu.

Cascatas de Iguaçu, Brasil
A primeira sensação que temos quando as contemplamos é de que são intermináveis…
Depois do fracasso das cascatas que nos fizeram ver no “Tren da Serra” (turistas agressivos de máquinas em punho ofuscaram a visão da janela mas pudemos identificar ainda um fiozinho tímido de água que escorria montanha abaixo ao lado do comboio), as Cataratas de Iguaçu elevam para outro nível o nosso significado de cascata.
Imponentes.
E para nossa surpresa, à medida que avançávamos no trilho descobríamos que as cascatas se sucediam em número, ao longo do Canion de Iguaçu, contínuas e cadas vez mais impressionantes.
O dia estava lindo a a oportunidade de fotografar este fenómeno deixou-nos com algum frenesim fotográfico.

Garganta del Diablo, Argentina
Nos dias seguintes, depois de um reconhecimento inicial ao lado Argentino para reservar alojamento e comprar algumas viagens de avião mais baratas (com destino à Patagónia), mudámo-nos para a Argentina, cidade de Puerto Iguaçu.
Esta pequena cidade recebeu-nos com a sua cor predominantemente vermelho vivo e as suas ruas tranquilas, baralhando-nos agradavelmente os sentidos que vinham habituados ao barulho e confusão brasileiros.
Puerto Iguaçu oferece um claro contraste com a sua cidade vizinha, não por ser bonita (que não é) mas por ter uma dimensão muito mais reduzida e apresentar uma noção de centro (comercial e com serviços) ordeiramente disposto ao longo de pequenas ruas arranjadas com passeios e canteiros de relva aparada (uma novidade até agora nesta viagem).
Concluído o alojamento: Cataratas de Iguaçu (Parte II: Argentina contra-ataca).
O parque oferece uma maior variedade de trilhos, sendo necessário cerca de 2 dias para poder percorrê-los todos. Sem esta informação chegámos demasiado tarde (depois de almoço) apenas a tempo de apanharmos o último comboio ecológico da selva (incluído no bilhete) que nos levou até ao início do trilho da Garganta del Diablo.

Vista do lado do Brasil
Num caminho que serpenteia por cima das águas calmas e silenciosas do rio, apenas o troar das águas ao longe fazia aumentar a expectativa indicando que algo naquele cenário estava prestes a mudar.
Abruptamente, vemos um gigantesco buraco abrir-se no meio do rio e a passadeira que nos leva debruça-nos num repentino abismo branco, húmido e extraordinariamente belo, de tão grande e majestoso.
Estávamos por cima da Garganta del Diablo (uma das cataratas mais impresionantes do conjunto), no início do Canion de Iguaçu.
O cenário, apesar de menos paronâmico do que do lado brasileiro, é significativamente mais imponente, deixando os visitantes com risos nervoso de espanto e adrenalina, numa sensação dividida entre querer debruçar-se para alcançar plenamente a sensação de se ser levado por uma massa gigantesca de água e a vontade de ficar retraidamente mais para trás, numa contemplação estupefacta para tentar absorver as emoções que um lugar assim inspira.
São lugares assim que nos comovem e nos colocam dúvidas existenciais.
As fotografias só expressam o pouco que a máquina conseguiu captar.
(ver mais fotos – lado do Brasil)
(ver mais fotos – lado da Argentina)
Dicas:
Em Puerto Iguaçu, no lado argentino, há um restaurante maravilhoso numa das ruas centrais que se chama “Maria Morena”. A comida é excelente, o vinho da casa também e o ambiente é muuito romântico, com velinhas e música ao vivo (bossa-nova e jazz).
Quanto às Cataratas, do lado argentino o parque é enorme e não é possível fazer tudo num dia só, o ideal é ir de manhã cedo para aproveitar ao máximo e não perder o comboio que vai para a Garganta Del Diablo (o último sai às 16h).