Barreado “a la Iara”

Barreado servido da forma típica

Um dos pratos que mais nos conquistou na cozinha brasileira foi sem dúvida o Barreado, um prato típico da zona de Morretes (no Sul do país) que se parece com a caçoila açoreana, embora a carne seja desfeita e servida com banana e farinha de mandioca.

Por curiosidade, pesquisámos na internet e acabámos por descobrir que a receita tem mesmo origem açoreana já que foi levada pelos colonos portugueses daquela região…

Graças à nossa querida amiga Iara, aqui fica a receita original.

Ingredientes:

  • 2kg patinho (coxa da vaca) em pedaços
  • cheiro verde picado
  • ½ kg de tomates em pedaços
  • louro, pimenta
  • bacon
  • tomilho (por último)

Preparação:
Temperar as carnes, tomate, cheiro verde, louro, com pimenta, azeite e vinagre. Deixar descansar por uma hora. Na panela de pressão coloca-se em camadas o bacon, a carne e por último novamente bacon.
Cozinha uma hora na panela de pressão. Depois que sai a pressão, misturar bem e ir desmanchando a carne. Cozinhar um pouco mais até ficar a gosto. Acrescentar tomilho.

Como Servir:
Colocar um pouco de farinha de mandioca (2 colh. sopa) num prato fundo e deitar um pouco do caldo do barreado, misturar bem e acrescentar o barreado, misturando até ficar uma massa pegajosa.
Acompanha com arroz branco e banana crua.

Cataratas de Iguaçu: a perspectiva argentina e a brasileira

Garganta del Diablo, Argentina

Chegámos a Foz de Iguaçu, no lado brasileiro, após 9h de viagem de autocarro, vindos de Curitiba.

A cidade é muito maior do que imaginámos (da rodoviária até ao centro da cidade são cerca de 4km) e, para além das cataratas, não tem pontos de interesse que mereçam uma paragem, dando a impressão de ser um aglomerado urbano que recente que cresceu desordenadamente.

Tendo em conta o nosso budget apertado decidimos fazer apenas o trilho das Cataratas incluído no preço do bilhete e não cedemos aos inúmeros apelos para fazer actividades complementares no parque (passeios de barco, rafting, passeio de helicóptero,…). A primeira visão das cataratas foi inesperada, já que tínhamos apenas iniciado o trilho, não se via ninguém (esperávamos grandes aglomerados de turistas) e, de repente, entre a folhagem das árvores, ali estavam elas, as Cascatas de Iguaçu.

Cascatas de Iguaçu, Brasil

A primeira sensação que temos quando as contemplamos é de que são intermináveis…

Depois do fracasso das cascatas que nos fizeram ver no “Tren da Serra” (turistas agressivos de máquinas em punho ofuscaram a visão da janela mas pudemos identificar ainda um fiozinho tímido de água que escorria montanha abaixo ao lado do comboio), as Cataratas de Iguaçu elevam para outro nível o nosso significado de cascata.

Imponentes.

E para nossa surpresa, à medida que avançávamos no trilho descobríamos que as cascatas se sucediam em número, ao longo do Canion de Iguaçu, contínuas e cadas vez mais impressionantes.

O dia estava lindo a a oportunidade de fotografar este fenómeno deixou-nos com algum frenesim fotográfico.

Garganta del Diablo, Argentina

Garganta del Diablo, Argentina

Nos dias seguintes, depois de um reconhecimento inicial ao lado Argentino para reservar alojamento e comprar algumas viagens de avião mais baratas (com destino à Patagónia), mudámo-nos para a Argentina, cidade de Puerto Iguaçu.

Esta pequena cidade recebeu-nos com a sua cor predominantemente vermelho vivo e as suas ruas tranquilas, baralhando-nos agradavelmente os sentidos que vinham habituados ao barulho e confusão brasileiros.

Puerto Iguaçu oferece um claro contraste com a sua cidade vizinha,  não por ser bonita (que não é) mas por ter uma dimensão muito mais reduzida e apresentar uma noção de centro (comercial e com serviços) ordeiramente disposto ao longo de pequenas ruas arranjadas com passeios e canteiros de relva aparada (uma novidade até agora nesta viagem).

Concluído o alojamento: Cataratas de Iguaçu (Parte II: Argentina contra-ataca).

O parque oferece uma maior variedade de trilhos, sendo necessário cerca de 2 dias para poder percorrê-los todos. Sem esta informação chegámos demasiado tarde (depois de almoço) apenas a tempo  de apanharmos o último comboio ecológico da selva (incluído no bilhete) que nos levou até ao início do trilho da Garganta del Diablo.

Vista do lado do Brasil

Num caminho que serpenteia por cima das águas calmas e silenciosas do rio, apenas o troar das águas ao longe fazia aumentar a expectativa indicando que algo naquele cenário estava prestes a mudar.

Abruptamente, vemos um gigantesco buraco abrir-se no meio do rio e a passadeira que nos leva debruça-nos num repentino abismo branco, húmido e extraordinariamente belo, de tão grande e majestoso.

Estávamos por cima da Garganta del Diablo (uma das cataratas mais impresionantes do conjunto), no início do Canion de Iguaçu.

O cenário, apesar de menos paronâmico do que do lado brasileiro, é significativamente mais imponente, deixando os visitantes com risos nervoso de espanto e adrenalina, numa sensação dividida entre querer debruçar-se para alcançar plenamente a sensação de se ser levado por uma massa gigantesca de água e a vontade de ficar retraidamente mais para trás, numa contemplação estupefacta para tentar absorver as emoções que um lugar assim inspira.

São lugares assim que nos comovem e nos colocam dúvidas existenciais.

As fotografias só expressam o pouco que a máquina conseguiu captar.

(ver mais fotos – lado do Brasil)

(ver mais fotos – lado da Argentina)

Dicas:

Em Puerto Iguaçu, no lado argentino, há um restaurante maravilhoso numa das ruas centrais que se chama “Maria Morena”. A comida é excelente, o vinho da casa também e o ambiente é muuito romântico, com velinhas e música ao vivo (bossa-nova e jazz).

Quanto às Cataratas, do lado argentino o parque é enorme e não é possível fazer tudo num dia só, o ideal é ir de manhã cedo para aproveitar ao máximo e não perder o comboio que vai para a Garganta Del Diablo (o último sai às 16h).

O melhor do Brasil são mesmo as pessoas…

Praia Caixa d'aço (Trindade)

Passámos as últimas duas semanas no Brasil e entrámos ontem na Argentina, por Puerto Iguaçu (junto às Cataratas, onde também faz fronteira o Paraguay).

Vista de Paraty

O Brasil deixou-nos com um travo agridoce… a beleza natural que encontrámos é fascinante e não fica atrás das imagens dos postais e das novelas que vez após vez nos fizeram sonhar com esta viagem. Descemos do Rio de Janeiro junto à Costa parando em Paraty, Trindade, Curitiba e Pontal do Sul (Paranaguá). A linha da costa é recortada entre montanhas de um verde escuro e um mar multicolor (por vezes azul, outras castanho outras ainda turquesa), e por cima dos cumes paira uma neblina fina que inspira alguma nostalgia e dá ao lugar um tom mais mágico do que exótico.

No reverso da medalha estão as cidades e todas as formas de intervenção humana, que quase sempre desprezam qualquer lógica urbanística, tendendo a estar desordenadas, degradadas e, muitas vezes, sujas (excepção feita a Paraty).

Centro histórico de Paraty

Centro histórico de Paraty

Mas as pessoas…

Essas surpreenderam-nos sempre. São de uma simpatia extrema que chega a deixar-nos incrédulos. Sempre disponíveis e com um sorriso, os brasileiros conquistaram-nos por serem muito “boa gente”.

Em Curitiba tivémos ainda a sorte de ficar hospedados em casa de amigos de amigos (obrigada Iara e Marino!) e percebemos que é possível sentirmo-nos em casa mesmo a tantos quilómetros de distância. Depois de uma saborosa pasta italiana (a Iara tem origens italianas e o Marino é da República Dominicana) e com as eleições presidenciais à porta, passámos uma das noites mais agradáveis até agora, discutindo história e política do mundo e do Brasil entre muitas gargalhadas.

Pontal do Sul

Depois de uns dias passados a “descansar” numa casa de praia em Pontal do Sul (em frente à ilha do Mel), apanhámos o “ônubus” nocturno para Foz de Iguaçu, rumo às famosas Cataratas.

(ver mais fotos)

Caipirinha upgrade!

O Brasil não nos surpreendeu com a sua cozinha, apenas confirmando como é possível uma nação fazer-se de feijão com arroz e muitos fritos (pastel de carne, banana frita, frango frito, peixe frito…).

Ao longo das duas semanas que aqui passámos não conseguimos comer uma única vez com alguma qualidade, mesmo  quando nos decidimos a gastar um pouco mais. A comida tem em geral pouca qualidade, os lugares são geralmente feios e os preços não assim tão baixos.

No entanto fizémos uma descoberta maravilhosa: a Caipirinha Batida. Um upgrade da verdadeira, com muito mais carisma. O truque? Juntar 2 colheres de leite condensado e 2 gotas de tabasco depois de todos os outros ingredientes e agitar tudo bem no shaker, com cubos de gelo. Fantástica!

Onde está a garota de Ipanema?

Vista sobre Rio de Santa Teresa

Vista sobre Rio de Santa Teresa

Chegámos de avião eram já 10h da noite, com os primeros sinais de jet-lag nos olhos e muitas incertezas a vaguear pela cabeça. Entrámos no aeroporto internacional do Rio, passando por uma porta de serviço, e, enquanto inspeccionava com o olhar este novo lugar, só conseguia pensar: “Onde está a Garota de Ipanema?” e de seguida um pedaço da letra da canção “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça [...]“.

Nos três dias que ficámos na Cidade Maravilhosa continuei procurando a dita garota pela ruas antigas e degradadas de Santa Teresa, nos bares nocturnos da Lapa, até no centro e obviamente na própria Ipanema, passando depois por Copacabana. Perguntei também ao Cristo Redentor se sabia alguma coisa. Olhei do alto do Pão de Açucar. Mas nunca consegui cruzar-me com aquele “doce balanço, a caminho do mar” que é “a coisa mais linda que [alguém] já viu passar”. Em lugar dessa garotinha, encontrei no Rio uma cidade bem mais adulta e rude, que pouco ou nada tem a ver com o “doce balanço” de que fala a canção.

Mas ao mesmo tempo que a cidade me ia deixando decepcionado, os seus habitantes, os cariocas, conseguiram surpreender-me pela sua simpatia e abertura.