De regresso a casa… por agora!

E ao fim de quase um ano, ou 300 e tal dias, é hora de voltar. Sabemos que faltam poucas horas para o nosso voo de Nairobi com destino a Londres onde fazemos escala para Lisboa. Assim que subimos os degraus da escada móvel e ouvimos as hospedeiras da TAP cumprimentarem-nos com “Bom dia” sabemos que a viagem terminou.
Recosto-me no assento e permito-me finalmente deixar o cansaço apoderar-se de mim – agora estou rumo a casa, posso baixar a guarda e tirar o dinheiro do cinto invisível, posso guardar os cadeados e nem preciso de me preocupar em inspeccionar se os lençois estão limpos na cama onde vou dormir hoje à noite. Posso deitar-me finalmente e sentir o conforto de uma almofada a sério, onde posso enterrar a cara e chorar… por ter perdido tudo aquilo.
Mas “vem-nos à memória uma frase batida, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…”

Receita de ugali (pap, nsima) – a base da comida africana

O ugali, como é chamado no Quénia e na Tanzânia, é uma espécie de puré de milho que serve de acompanhamento na maioria das refeições na Africa sub-sahariana.
No Malawi e em Moçambique chamam-lhe nshima ou nsima, no Zimbabwe é sadza, na África do Sul chamam-lhe pap e em Itália polenta – mas tem sempre o mesmo sabor. O ugali é  utilizado geralmente como acompanhamento de guisados de vegetais ou de carne e come-se tradicionalmente com as mãos, fazendo com os dedos uma bola que é molhada no molho do guisado.

Ingredientes:
  • água quente (3/4 chávenas)
  • farinha de milho branca fina (1/2 chávenas)
  • sal
Preparação:
Cada país por onde passámos tem uma forma diferente de cozinhar o ugali, mas o resultado é sempre muito parecido.
No Quénia aquece-se a água primeiro numa panela, quando está a ferver deita-se a farinha e mexe-se continuamente para ficar sem grumos. Reduz-se para lume médio e vai-se mexendo ocasionalmente para que cozinhe sem se pegar ao fundo, durante cerca de 10m. Com o lume no mínimo tapa-se e deixa-se cozinhar cerca de 5m. Nesta altura a mistura já está muito espessa e forma uma espécie de bola. Vira-se a parte de baixo para cima e volta-se a tapar, deixando cozinhar mais uns minutos.
A outra forma de cozinhar, utilizada na Àfrica do Sul e no Malawi consiste em ferver a água e misturar fora do lume com a farinha (poucas colheres), mexendo bem. Coloca-se depois a mistura numa panela ao lume e tapa-se. Só se mexe ao fim de cerca de 7/10m. Esta segunda forma faz com que a mistura fique mais mole e gelatinosa, também chamada “porridge” em algumas zonas.

No Quénia entre os Masai

Guerreiros Massai

Dança dos guerreiros Massai


As últimas semanas têm sido muito intensas, ou não fosse este o continente mais “quente”. Depois de uma noite à volta da fogueira a ouvir as histórias do povo Masai, acordámos com pegadas de elefante perto do nosso acampamento e fomos aprender a saltar como os jovens guerreiros.
Os Masai são um povo semi-nómada que vive no Quénia e na Tanzânia e que, apesar da influência do mundo moderno, continua a manter e preservar a sua cultura e as suas tradições.  Como se pode ver pelas fotos, os homens vestem-se tradicionalmente de vermelho (que acreditam servir para espantar os leões) e as mulheres usam grandes colares e pulseiras de missangas a enfeitar o pescoço, a cabeça e as pernas. Como às vezes as imagens valem mais que mil palavras, ficam alguns registos das pessoas fantásticas que temos estado a conhecer.

Jazz com sabor tropical – Rachel Guerzo


Durante a nossa estadia na Malásia descobrimos uma cantora de jazz que não podíamos deixar de partilhar – Rachel Guerzo. Ouvimos a música dela a tocar num bar e como gostámos muito perguntámos de quem era. Ficámos a saber que a Rachel foi a primeira cantora de jazz malaio a gravar um CD e como foi uma edição muito pequena ainda não está a ser comercializado na Europa. Mas num incrível golpe de coincidência no dia seguinte conhecemos a irmã dela e conseguimos comprar-lhe um CD. As músicas foram seleccionadas para agradarem a um público geral e foram deixadas de fora as faixas de jazz mais hard-core (tipo orquestra a cair pelas escadas a baixo, como um amigo uma vez tão bem descreveu). No CD “Just Friends” as músicas sucedem-se numa melodia lenta mas a voz forte e doce da Rachel seduz-nos como um travo de Bayleys quente e sedutor.
Aqui fica a dica e teremos muito gosto em partilhar (temos autorização da irmã dela).

Receita de Burfi/ Barfi

Uma das coisas mais fantásticas de descobrir em Zanzibar foi a gastronomia multicultural de influência árabe, africana e indiana, absolutamente deliciosa. Num dos restaurantes em que almoçámos provámos este doce e ficámos rendidos ao exotismo das especiarias misturadas num fudge cremoso de leite. Ainda não pudemos experimentar a cozinhar mas já tem um lugar assegurado no nosso livro de receitas.

Ingredientes

  • 4 copos de leite em pó
  • 1 lata de leite evaporado
  • sementes de 4/5 cardamomos (ou cardamomo em pó)
  • 2 copos de açúcar
  • 1/2 copo de água
  • 2 colh. óleo (ou ghee)

Deitar o leite evaporado em quantidade suficiente sobre o leite em pó e misturar até ficar uma pasta dura. Enrolar a pasta numa bola e manter no frigorífico 15-20 minutos. Retirar do frigorífico e triturar com um ralador para dentro de uma tigela. Aquecer o óleo num tacho e juntar as sementes de cardamomo, o leite ralado, o açúcar e a água. Cozer em fogo lento, mexendo sempre, até a água secar e a mistura começar a ficar uniforme e a despegar-se dos lados do tacho. Deitar num tabuleiro e polvilhar com pistachos ou amêndoas laminadas (facultativo). Quando arreferecer cortar em quadradinhos.